Vidas Coordenadas - Olhares do Mundo

Vidas Coordenadas

Conheça as diferentes formas pelas quais os mapas norteiam nossas vidas

Representar o espaço é uma necessidade humana. Seja por funções técnicas, como compreender a extensão de domínios e os recursos naturais de uma área, ou até mesmo simbolizar a maneira como esses povos enxergavam a realidade. Desde as civilizações mais antigas, os mapas têm acompanhado grandes transformações da humanidade, tornando-se registros importantes de nossa evolução.

Um dos períodos mais importantes da história da cartografia são os séculos XV e XVI, época das grandes navegações. Os mapas do chamado Novo Mundo reproduziam não só o relevo da região e rotas para chegar a ela, mas funcionavam como verdadeiros roteiros das impressões dos exploradores que se aventuravam desafiando concepções e rompendo tabus, como a ideia de que a Terra era plana.

Não por acaso, o nome do novo continente tornou-se uma homenagem a um destes homens, o italiano Américo Vespúcio. Ao todo, Vespúcio realizou três viagens da Espanha até a América. Na última, percorreu a costa do Brasil desde a Bahia até Cananéia, em São Paulo, e, devido à distância, se convenceu de que aquelas eram novas terras, em vez de um prolongamento da Ásia.

Seus relatos levaram o cartógrafo alemão Martin Waldseemüller a elaborar um novo mapa, o primeiro a incluir o novo continente e a chamá-lo de América. A partir de então, a América passou a ser mapeada por seus colonizadores, que ampliavam os registros cartográficos conforme expandiam seus domínios.

Naturalmente, em épocas como essa, não havia a tecnologia necessária para que os mapas fossem precisos e fieis como atualmente. Além disso, os mapas eram mais um elemento do jogo de interesses dos países, que muitas vezes gostavam de representar seus territórios maiores do que realmente eram.

A ciência também se misturava com os estilos de desenhos, por isso, mapas que ilustravam a fauna e a flora eram decorados envolvendo muitos ornamentos, como as iluminuras, tradicionais da Europa, conferindo a eles dimensões artísticas.

Os séculos seguintes mantiveram a tendência de valorizar as descobertas, com cientistas como o alemão Alexander von Humboldt obtendo fama com a divulgação de suas explorações de partes ainda inexploradas da América. Os mapas ilustravam as aventuras descritas nos livros que circulavam pela Europa, saciando a curiosidade de leitores ávidos.

Embora Humboldt, que viveu entre os séculos XVIII e XIX, não contasse com tecnologias como os satélites, o sistema de mapeamento já haviam melhorado significativamente, com o uso de técnicas matemáticas como escala e proporção, o que torna seus mapas mais exatos e verossímeis.

Com as grandes revoluções tecnológicas do século XX, os mapas foram revolucionados, tornando-se computadorizados e presentes nas mais diversas funções, principalmente devido ao uso de veículos.

Mas, mais do que fruto da técnica, mapas também são reflexos das sociedades que representam. Em um mundo permeado pela internet, onde há cada vez menos fronteiras entre o mundo real e o virtual, os mapas encontraram seu espaço muito além do universo dos aplicativos de direção.

Através da chamada tecnologia de geolocalização, que utiliza o sistema GPS para acompanhar a posição do usuário, surgiu uma nova lógica de mapeamento: a do compartilhamento de experiências entre pessoas conectadas.

A partir desta ideia, surgiram novos conceitos e maneiras de enxergar a convivência em grandes cidades, como a economia colaborativa, adotada por empresas como o serviço de transporte Uber ou o serviço de entrega de alimentos iFood.

Um representante brasileiro desta tendência é o aplicativo de classificados Skina. Nele, os usuários conseguem procurar produtos anunciados nas proximidades de sua atual localização, aproximando pessoas que, de outra forma, não saberiam que podem encontrar o que procuram em seu bairro. Uma oportunidade de negócios que poderia ser desperdiçada.

“Ao mesmo tempo em que é possível se conectar com pessoas do outro lado do mundo, muitas vezes não conseguimos fazer isso com nosso próprio vizinho. O surgimento da geolocalização permitiu que a tecnologia seja usada para essa conexão local”, comenta Gabriel Di Bernardi, Diretor de Marketing do Skina.

A tendência daqui para frente é a de que cada vez mais novidades surjam com o auxílio desta tecnologia, atendendo as demandas de praticidade, menores deslocamentos, reutilização e reciclagem de recursos, como afirma Gabriel.

“A gente acredita que ainda há muito a ser explorado nesse mercado. Quando um app usa a geolocalização, é uma ótima oportunidade de unir as preferências dos consumidores com a proximidade, assim conseguimos entender melhor o perfil de cada um e tratar suas necessidades”, disse ele ao Olhares do Mundo.

Prever os próximos passos da tecnologia é sempre instigante, mas também muito impreciso, afinal, cada vez mais os cientistas e engenheiros buscam nos surpreender. No entanto, é seguro afirmar que, seja qual for o futuro da geolocalização, de algum modo os mapas permanecerão presentes em nossas vidas, norteando o desenvolvimento e abrindo espaço para novos caminhos.

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