Um país no microscópio - Olhares do Mundo

Um país no microscópio

Pequeninas, as paisagens de Madurodam homenageiam a beleza da Holanda

Se, em teoria, o próprio universo já coube em uma casca de noz, seria possível observar um país no microscópio? Na Holanda, sim. A poucos quilômetros de Amsterdã, a bela cidade de Haia guarda um tesouro que condensa a essência holandesa em cerca de 17 metros quadrados: Madurodam, a cidade em miniatura.

Das tulipas aos moinhos, passando pelos famosos diques, todas as marcas registradas do país estão presentes em Madurodam. Na verdade, a própria existência do parque, criado em 1952, é um tributo à coragem do povo holandês na figura de um homem, o herói de guerra George Maduro.

Em 1940, Maduro, que nasceu na colônia holandesa de Curaçao, era militar e cursava Direito na Universidade de Leiden quando os alemães atacaram o país. Sob sua liderança, os holandeses conseguiram se defender naquela ocasião.

Porém, após a Holanda ter sido ocupada, Maduro aderiu à resistência holandesa e foi capturado por oficiais nazistas. Aprisionado no campo de concentração de Dachau, morreu de tifo em 1945, poucos meses antes do fim da Segunda Guerra.

Posteriormente, Rebecca e Joshua, pais de George, doaram o capital para a construção de Madurodam, que foi inaugurada em 1952 como uma homenagem póstuma a seu único filho. O parque também tem uma função filantrópica, pois desde aquela época os lucros obtidos com a venda de ingressos são revertidos para instituições de caridade.

A obra do arquiteto Siebe Jan Bouma encanta pelo requinte dos detalhes. Através dela é possível observar a evolução da arquitetura holandesa através do tempo, os pormenores de importantes locais do país, como o Rijksmuseum de Amsterdã, o porto de Roterdã, a Torre Dom, da Catedral de Utrecht, e até vivenciar aspectos da história cultural holandesa, como a história do menino Hansje Brinker, que teria salvo o país impedindo o rompimento de um dique.

Além destas atrações, Madurodam guarda outras surpresas aos visitantes. Os barcos e lanchas que flutuam em meio à reprodução dos famosos canais holandeses funcionam de verdade, assim como os aviões da versão diminuta do aeroporto de Schipol. As luzes da cidade se acendem e os “jogadores” se movimentam em estádios de futebol lotados com bonecos que chegam a ter as roupas trocadas de acordo com as estações do ano. Nem as plantas escapam – são todas reais, produzidas pela técnica bonsai.

E se engana quem acredita que, para preservar as maquetes, o público é mantido à distância. Além de poder caminhar e tirar fotos à vontade na instalação, os turistas podem operar os diques holandeses e descobrir mais sobre a história da Holanda através de telas interativas com áudios em sete idiomas, incluindo o inglês.

Esta última característica interativa foi uma adição da reforma realizada para comemorar os 60 anos do parque, em 2012. Ao todo, foram trinta novas atrações interativas e oito milhões de euros investidos para preservar este patrimônio nacional em toda a sua beleza.

Da próxima vez que estiver pedalando pela Holanda, aproveite para conhecer Madurodam e se encantar com a perícia e a técnica dos conterrâneos de Rembrant.

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