Svalbard: Um oásis no Ártico - Olhares do Mundo

Svalbard: Um oásis no Ártico

O arquipélago que preserva a história

No extremo norte do Planeta Terra, existe um arquipélago único. É o lugar permanentemente habitado mais próximo do Polo Norte. Longe até das capitais mais setentrionais do mundo, Svalbard é um território banhado pelo oceano Glacial Ártico. Tão isolado e frio que é considerado um oásis do nosso futuro, sendo a localização perfeita para guardar documentos importantes de nossa recente história, assim como servir para armazenar os mais diferentes tipos de sementes.

A Noruega exerce a soberania sobre Svalbard, mas um tratado assinado em Paris, no ano de 1920, garantiu que todos os países que fizeram parte do acordo pudessem se beneficiar dos recursos naturais da região. Hoje em dia, são mais de 40 nações que gozam desses privilégios. O governo russo foi um dos que mais aproveitou isso e ainda explora as minas de carvão deste solo nevado.

Oslo, na Noruega, é a capital mais próxima do arquipélago. Ainda assim, três horas de voo separam este ponto no Ártico até o continente europeu. Além disso, o Polo Norte está a 1.300 km dessas terras. Realmente, Svalbard é um lugar de extremos, até na sua beleza, quando as auroras boreais aparecem no horizonte do território.

 

Longyearbyen: a capital

Dos cerca de 2.600 habitantes de Svalbard, 2.100 vivem em Longyearbyen, a capital do arquipélago. A pequena vila sofreu na Segunda Guerra Mundial, quando foi quase completamente destruída em 1943. Reconstruída pelo progresso das minas de carvão, o vilarejo hoje é o centro pulsante dessas ilhas.

Longyearbyen sedia todo ano em outubro o Dark Season Blues, evento que reúne artistas locais, noruegueses e internacionais de blues. Outras atrações da cidade são os museus de Svalbard e o Spitsbergen Airship, este último especializado na história da aviação.

 

O banco de sementes mundial

Em 2008 foi inaugurado próximo a capital de Svalbard o Global Seed Vault. Ele é o maior silo de sementes do mundo e já tem quase 1 milhão de amostras em seu interior. O arquipélago do Ártico foi escolhido por ser uma região segura às alterações climáticas do aquecimento global.

A capacidade do Global Seed Vault é de albergar 4,5 milhões de amostras. As sementes são preservadas em câmaras de baixas temperaturas (-18o C). Caso haja algum problema elétrico, a neve que cobre o silo mantém o material entre -4o C e -6o C.

O objetivo do banco de sementes é preservar a biodiversidade das espécies de cultivos que sirvam como alimento. O governo norueguês é um dos maiores financiadores do projeto, assim como pessoas ilustres, como Bill Gates, que fez generosas doações através de sua fundação.

O Global Seed Vault mostrou a sua utilidade em 2015, quando houve a primeira retirada de sementes. Elas foram destinadas ao banco genético de Aleppo, na Síria, que foi transferido para Beirute, no Líbano, já que ele foi danificado na guerra civil que assola o país localizado no Oriente Médio.

 

A cápsula do tempo

O cientista polonês Marek Lewandowski teve uma ideia para preservar a história em Svalbard. Ele e outros profissionais enterraram no arquipélago um tubo de aço inoxidável com diversas amostras de DNA de humanos, ratos, salmões, uma abelha preservada em resina, assim como exemplares de sementes de milho, feijão, girassol, entre outras coisas.

Batizada como cápsula do tempo, o tubo de aço inoxidável foi enterrado a cinco metros de profundidade em Hornsund, na ilha de Spitsbergen. Ele poderá ficar escondido durante mais de 500 mil anos antes de emergir por conta da erosão e da elevação geológica.

Segundo os cientistas, o objetivo é que alguém daqui milhares de anos descubra a ‘’cápsula do tempo’’ e saiba como era a civilização em 2017. Para Lewandowski, seria algo similar aos arqueólogos que descobriram os significados das pirâmides do Egito.

 

O arquivo

Como já se viu nos exemplos anteriores, Svalbard é um lugar normalmente escolhido para a preservação, seja no caso do banco de sementes como na cápsula do tempo.

Um dos principais motivos é o solo encontrado em Svalbard, chamado de Permafrost. Ele é constituído de terra, gelo e rochas, ficando congelado o ano inteiro, o que é importante na preservação.

Pensando nisso, uma empresa resolveu guardar dados e documentos importantes no arquipélago norueguês em uma antiga mina de carvão.

Em março de 2017, o Arctic World Archive foi inaugurado. Os primeiros a depositarem informações importantes foram os governos do Brasil, México e Noruega. O Arquivo Nacional brasileiro levou para o Ártico a Lei Áurea, o Juramento do Imperador D. Pedro I e da Imperatriz Leopoldina à Constituição de 1920, entre outros documentos que marcaram a história do país.

O Arctic World Archive é um depósito de segurança nuclear, onde qualquer país poderá armazenar seus dados off-line, nas chamadas “embaixadas de dados”. Elas utilizam rolos de filmes, o que garante uma total segurança, eternizando a história da humanidade.

 

A cidade fantasma

O oásis da preservação pode ser visto pelos visitantes da cidade-fantasma de Pyramiden, que fica há 50 km da capital Longyearbyen. Fundada em 1910 pelos suecos, ela foi vendida à União Soviética em 1927 e logo virou um acampamento dos mineiros que trabalhavam na extração do carvão das minas da região.

Pyramiden já teve mais de mil habitantes em seus tempos aúreos. Com o tempo, a produção de carvão da cidade foi ficando escassa e acabou decretando o fim das atividades nas minas da região. O último morador permanente deixou o lugar em 10 de outubro de 1998.

Mesmo abandonada, sem nenhum habitante, a cidade permanece intacta. Aos desavisados, parece que o lugar parou no tempo e ainda estamos no tempo da União Soviética.  Uma placa celebra a viagem de Yuri Gagarin ao espaço. Já no centro do vilarejo está um busto de Vladimir Lenin.

A empresa mineradora que administrava a extração de carvão nas redondezas decidiu investir no turismo de Pyramiden. O hotel foi reformado e alguns funcionários trabalham como guias turísticos pelas ruas abandonadas da cidade fantasma do Ártico.

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