A saga dos videogames - Olhares do Mundo

A saga dos videogames

Uma viagem pela história dos jogos eletrônicos

Antes de lucrar mais de 100 bilhões de dólares por ano, a indústria do videogame percorreu um longo caminho. Até se tornar um negócio mais lucrativo que o mercado cinematográfico e ser consumido por mais de 145 milhões de pessoas só nos Estados Unidos, país líder desse segmento, os jogos eletrônicos sofreram grandes mudanças, impulsionadas, principalmente, pela tecnologia e por algumas mentes brilhantes.

Existiram alguns projetos de jogos digitais em computadores nos anos 40, 50 e 60, mas foi só na década de 70 que o primeiro videogame conectado ao televisor chegou ao mercado. Ao contrário do que acredita-se na cultura popular, o Atari não foi o primeiro aparelho dos conhecidos “consoles”. O pioneiro dos videogames de mesa é o Magnavox Odyssey, que começou como um projeto do engenheiro Ralph Baer. Ralph tentava criar a “melhor televisão do mundo”, que seria uma espécie de TV interativa. A ideia não deu certo e, anos depois, a Magnavox comprou o protótipo do engenheiro para, finalmente, desenvolver o primeiro videogame com sucesso nas vendas. O ano era 1971 e, enquanto o Odyssey ganhava espaço no mercado, Nolan Bushnell dava os primeiros passos para construir o videogame que iria definitivamente mudar o ruma da história: o Atari 2600

Inicialmente, a empresa Atari desenvolvia somente jogos arcade para fliperamas. Com o rápido sucesso dos jogos, Nolan decidiu criar seu primeiro console, o Atari VCS. Mesmo sendo considerado muito caro e limitado em algumas funções, esse modelo foi o suficiente para incrementar as contas da empresa para, em setembro 1977, ser apresentado o Atari 2600. Com o preço de 199 dólares, apenas dois anos após seu lançamento, o Atari 2600 foi o presente da Natal mais vendido dos Estados Unidos, com milhares de unidades comercializadas. Era criado, então, um ícone da história dos videogames. Um dos jogos mais famosos, o Pong, clássico de simulação de tênis de mesa, é lembrado até hoje por pessoas que sequer chegaram a colocar as mão em um Atari.

Chegam os anos 80 e, com ele, a concorrência no mundo dos games fica cada vez mais acirrada. A Mattel, maior fabricante de brinquedos do planeta, entra com tudo no era dos consoles e apresenta o Intellivision. Vendido por 299 dólares, o Intellivision oferecia gráficos melhores que o Atari. No entanto, os jogos desenvolvidos pela própria Mattel não conquistaram os usuários, fazendo com que o console logo fosse esquecido. Assim, as duas grandes responsáveis pelo desenvolvimento dos jogos eletrônicos na década de 80 seriam as japonesas Nintendo e Sega.

A primeira que, inicialmente, fabricava cartas de baralho desde o ano de 1889, entrou no mundo dos videogames, assim como a Atari, fabricando games arcade, como os ainda famosos Mario Bros e Donkey Kong. Em 1985, dois anos depois de lançar o Famicom nos Estados Unidos, a Nintendo apresentou aos norte-americanos o Nintendo Entertainment System. Mesmo com vendas tímidas no início, o NES seria responsável por retomar o crescimento da indústria dos games, que tinha sofrido com o crash dos jogos eletrônicos de 1983. Comercializado por 89 dólares, foram vendidos 60 milhões de consoles em vinte anos de atividade. Paralelamente, a Sega lançava o Master System. O console sofreu com a popularidade do NES, mas, ainda assim, teve muita popularidade na Europa e na Austrália. No Brasil, o Sega Master System, produzido pela Tectoy, também obteve um sucesso notável. A fabricante brasileira de jogos eletrônicos teve um faturamento de 66 milhões de dólares no ano de 1989, e estima-se que metade desse valor tenha sido arrecadado somente com vendas do Master System.

Foi também no final dos anos 80 que a Nintendo acertou mais uma vez em cheio no desenvolvimento de um novo produto que, ainda por cima, iria iniciar uma nova linha de videogames: os consoles portáteis. O Game Boy foi lançado no Japão no dia 21 de abril de 1989 e logo se mostrou extremamente superior aos concorrentes, o Atari Lynx e o Sega Game Gear. Em apenas três anos, o modelo teve 32 milhões de unidades comercializadas, 7 milhões a mais que o esperado pela empresa. Até 2003, quando foi descontinuado, foram 118 milhões de unidades vendidas. Com o sucesso do portátil, a Nintendo se consolidou, até os dias de hoje, como referência nos conhecidos videogames de bolso.

No início dos anos 90, a Nintendo lançaria ao mercado mais um console que teria desempenho exemplar nos números de vendas, o Super Nintendo Entertainment System. Para a época, o console representou um salto na qualidade de som e imagem. Ele foi responsável por aguçar o interesse da indústria dos videogames pelos gráficos 3D. O jogo Donkey Kong Country, por exemplo, foi o primeiro a combinar desenhos 32 bits com texturas pré-renderizadas em 3D. Em apenas 45 dias, entre o fim de novembro e o natal de 1994, o jogo se tornou o mais vendido da história, com mais de 6 milhões de cópias vendidas.

No entanto, foi também naquele mesmo ano de 1994 que nasceria a gigante dos videogames. No dia 3 de dezembro, era apresentado ao público o PlayStation, primeiro console da também japonesa Sony. Hoje, ele ocupa a segunda posição de console mais vendido do mundo, com 100 milhões de unidades, ficando atrás apenas de seu sucessor, o PlayStation 2, que teve 150 milhões de unidades comercializadas. De lá para cá, todos os consoles da Sony foram bem sucedidos. O PlayStation 3, ainda fabricado em alguns países, já soma 86 milhões de unidades vendidas, enquanto o PlayStation 4, modelo atual da marca no mercado, está prestes a alcançar 60 milhões de vendas.

Hoje, a maior concorrente da Sony é a Microsoft, fabricante da franquia Xbox. O primeiro console da marca, lançado em 2001, foi também o primeiro videogame norte-americano lançado no mercado desde o Atari Jaguar, apresentado em 1993. Ao longo de sua produção, até 2009, foram vendidas 24 milhões de unidades. Já em 2005 foi apresentado o Xbox 360, que concorreria com o PS3. O número de vendas em relação ao rival japonês foi bem equilibrado, com 85 milhões de consoles. Por último, entrando na 4ª geração de consoles, o Xbox One está sofrendo para competir com o PS4. São apenas 30 milhões de unidades vendidas, metade do número alcançado pela fabricante japonesa.

Mas se engana quem pensa que a indústria dos jogos eletrônicos se limita apenas aos consoles de mesa. Os computadores são responsáveis por uma boa fatia dos lucros anuais desse mercado, principalmente por meio de grandes competições mundiais entre equipes do chamado e-sports. Em campeonatos como do jogo League of Legends, as finais lotam estádios e dão prêmios milionários aos vencedores.

Fechando a lista, um dispositivo que não é nem um computador pessoal, muito menos um console de mesa. Os óculos de realidade virtual podem ser os responsáveis pela nova era dos jogos eletrônicos. Anteriormente, já haviam tentado criar uma completa imersão do jogador no videogame. No entanto, só agora esse objetivo está realmente sendo alcançado, e o mercado já começa a oferecer uma série de marcas para a “modalidade”. Os jogos de realidade virtual ainda estão melhorando, e é inegável o fato de que ainda existem diversos pontos a serem melhorados. Mas, também é inegável o fato de que a imersão virtual deve ser a próxima grande febre entre os aficionados do videogame.

 

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