Os olhares por trás das lentes - Olhares do Mundo

Desde o seu surgimento, no começo do século 19, a fotografia tem servido como espelho de nossos costumes, de nossos cotidianos e, acima de tudo, de nossa história coletiva. A partir de sua evolução e, por consequência, da criação de câmeras menores, os fotógrafos ganharam as ruas para “chegar mais perto”, conselho dado por um dos principais fotojornalistas da história: Robert Capa, que cobriu a segunda guerra mundial e que faz parte da nossa galeria.

Além das dores da guerra, a fotografia nos permite captar também o que existe de mágico num instante. O tal “momento decisivo”, como dizia Cartier-Bresson, se tornou a meta dos principais fotógrafos do século 20. Assim, o desembarque de soldados na Normandia pode ser visto por nós, ainda hoje, como se estivéssemos lá. Como a imensidão dos homens trabalhando nas minas da Serra Pelada, capturada pelas lentes de Sebastião Salgado, fotógrafo brasileiro. Ou ainda na estranheza dos retratos de Diane Arbus, norte-americana que se tornou especialista em apresentar o mundo contemporâneo.

Conheça alguns dos trabalhos de 5 dos principais fotojornalistas do século 20:

Henri Cartier-Bresson

Ele se tornou o pioneiro do fotojornalismo quando decidiu sair às ruas durante os anos 30 para captura, como diriam os créditos do MOMA, capturar a vida em seu momento presente, ou como definiria o próprio fotógrafo, estar com a câmera em mãos para o decisive moment. Assim, conseguiu algumas das fotos mais famosas do nosso século e ganhou força para formar a agência de fotos mais prestigiosa do mundo: a Magnum Photos. Bresson viajou da Europa aos Estados Unidos, depois da Índia à China e foi o primeiro fotógrafo da Europa Ocidental a ter permissão de fotografar na União Soviética. Trabalhou para a Vogue, Life, e Harper’s Bazaar e cobriu eventos como o funeral do Gandhi, mas seus retratos mais famosos são tirados no cotidiano de algumas das cidades pelas quais passou.

Robert Capa

Considerado por muitos como o fotógrafo de guerra mais importante do século 20, Robert Capa viu de perto a Guerra Civil Espanhola e fotografou o Dia D, o desembarque da Normandia, durante a Segunda Guerra Mundial. Justamente os negativos desse dia, 6 de junho de 1944, foram quase todos perdidos, restando apenas 11 fotos. Realizada anos antes, seu retrato mais famoso, Death of a Loyalist Militiaman (1936), captura a morte de um soldado espanhol e comprova sua teoria de que, se sua foto não está boa o suficiente, é porque você precisa chegar mais perto.

Sebastião Salgado

O fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado viajou o mundo retratando pessoas em situações-limite. Seja pela estrutura de trabalho, seja pela pobreza e pela fome, seja pela ausência de contato com o resto do mundo, suas fotografias retratam o que existe de mais humano no planeta. Assim, fotografou os homens em busca de minérios na Serra Pelada e trabalhadores de fábricas ao redor do mundo. Viu de perto toda a América, que ficou registrada em livro, e foi em busca da origem do planeta, do que ainda estava intocado, para realizar a obra Gênesis. Comparado a Capa e Bresson, Salgado é, sem dúvida, um dos fotógrafos mais importantes da história.

Dorothea Lange

Com a Grande Depressão dos anos 30, Dorothea Lange viu na fotografia uma forma de expressar e de dar voz às pessoas que estavam desempregadas e passando fome. Migrant Mother (1936), seu retrato mais famoso, exibe uma mulher do campo que foi forçada a ir em busca de trabalho na cidade. Ficou conhecida também por levantar questões sobre racismo e direitos humanos durante a Segunda Guerra Mundial.

Diane Arbus

Diane Arbus é a fotógrafa da estranheza. Não por seus personagens e temas, mas pela maneira como o encontro se dá. Arbus tem um olhar ausente, ao mesmo tempo capaz de encontrar a individualidade de cada um. Ficou famosa por estar próxima de indivíduos à margem, como nudistas, travestis, moradores de rua. Controverso, seu trabalho é visto por muitos como um ato de compaixão e entrega diante dos personagens, enquanto para outros seus retratos são bizarros e perturbadores. Questionamentos deixados de lado, Arbus, que se suicidou aos 48 anos, ficou famosa por ser uma fotógrafa capaz de estabelecer uma relação psicológica muito intensa entre tema e fotógrafo.

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