A Marginal de Madrid - Olhares do Mundo

A Marginal de Madrid

A capital espanhola mostra que é possível privilegiar as pessoas

Desafiar o crescimento descontrolado das grandes metrópoles. Foi isso que a cidade de Madrid, na Espanha, fez ao, literalmente, enterrar avenidas que margeavam o rio Manzanares. Famoso por aparecer em diversas obras do pintor espanhol Goya, o rio Manzanares foi, por muitos anos, sinônimo de lazer para os madrilenhos. Isso durou até 1974, quando uma gigantesca avenida, a M30, foi construída à sua margem.

Foram décadas de privilégios para os carros e motoristas. A avenida tomou proporções de rodovias, totalizando 43 quilômetros de extensão. Isso até o prefeito Alberto Ruiz-Gallardón, eleito em 2003, decidir mudar o panorama. Aos poucos, foram feitas intervenções em pequenas partes da avenida para distribuir o fluxo de veículos, oferecendo caminhos alternativos para os motoristas. Uma dessas intervenções foi, justamente, o soterramento da M30 no ponto em que ela se encontrava com o Manzanares. Assim, em 2005, foi aberto um concurso para que sugerissem qual seria a melhor solução para os espaços agora vazios.

O projeto vencedor foi o Parque Madrid Rio, que procurava ligar cada um dos pontos desativados da avenida usando simplesmente a natureza. Depois de alguns anos de construção, a população da capital espanhola recebeu um presente que abrange diversos bairros. O espaço linear conta com mais de 1,5 milhão de metros quadrados, 30 quilômetros de ciclovias, quadras comunitárias, espaços culturais, cinco mil bancos e mais de sessenta fontes naturais de água. Fora isso, são mais de 35 mil árvores, de 47 diferentes espécies.

Madrid Rio pode não ser uma solução pronta para os outras cidades, já que grandes mudanças requerem um estudo profundo e específico de cada região. Mas, ainda assim, esse parque manda uma mensagem ao mundo mostrando que é possível fazer diferente, privilegiar as pessoas e ir contra o crescimento desenfreado das grandes cidades.

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