Janelas para o infinito - Olhares do Mundo

Janelas para o infinito

Centros de alta tecnologia, os planetários incentivam cientistas e apaixonados pelas estrelas a explorar a vastidão do universo

Observar as estrelas tem sido, há milênios, um dos passatempos favoritos da humanidade.  Com o avanço da tecnologia e de ciências como a astronomia, o que antes parecia impossível virou realidade e, aos poucos, o prazer de divagar sob o estrelado céu noturno deixou de ser uma exclusividade de quem vive longe das luzes da cidade para estar ao alcance de todos – dia ou noite.

O começo dessa revolução remonta ao ano de 1913, quando o engenheiro Oskar von Miller, patrono do Deutsches Museum, entrou em contato com a fábrica de lentes alemã Carl Zeiss para dar vida ao sonho do astrônomo Max Wolf, que desejava criar um aparelho que possibilitasse a observação do céu em 3D e em movimento.

Dez anos depois, o Deutsches Museum, em Munique, ganhava o primeiro planetário moderno, o Mark I. Criado pelo engenheiro-chefe da Zeiss, Walther Bauersfeld, e sua equipe, o planetário é um projetor complexo, que utiliza lentes curvas para reproduzir imagens precisas do espaço, incluindo estrelas e planetas em movimento, em grandes salas com cúpulas arredondadas e escuras.

As possibilidades para ensino ou entretenimento são únicas: observar o aspecto do céu em qualquer ponto da Terra, estação do ano e época geológica, ver as trajetórias de planetas e estrelas, acompanhar processos que levam milhões de anos para acontecer em apenas minutos. Quase como navegar em uma espaçonave que viaja também pelo tempo.

Não à toa, a enorme máquina foi capaz de emocionar multidões com projeções do céu estrelado e logo se espalhou para todo o mundo. Nos anos 20 e 30, cidades como Hamburgo, Estocolmo, Milão, Viena e Chicago – a primeira fora da Europa – ganharam seus próprios planetários.

Com o passar do tempo, a Zeiss aperfeiçoou sua tecnologia e foram desenvolvidas novas versões do Mark, além de outros modelos de planetários, como o Universarium.  Hoje, os planetários Zeiss utilizam fibras óticas na projeção das estrelas e, como são digitais, conseguem regular a quantidade de pixels usados em cada uma – o que as torna mais ou menos brilhantes de acordo com a distância, aumentando a sensação de ver o céu em três dimensões.

Além disso, é possível combinar a projeção do planetário com sistemas digitais que incluem gravações, animações, vídeos e outros recursos que podem ser projetados na cúpula, tornando as apresentações ainda mais impressionantes.

Aos poucos, os planetários foram ganhando espaço na vida cotidiana das cidades e o termo passou também a nomear os prédios que abrigam os projetores. Alguns se tornaram verdadeiros orgulhos locais, como o planetário de Hamburgo, na Alemanha.

Inicialmente, o prédio foi projetado para ser uma torre de água, mas exerce a função de planetário desde 1930. A partir de então, resistiu aos bombardeios da Segunda Guerra Mundial e hoje é um dos mais visitados da Europa.  Em 2015, o prédio passou por uma reforma completa e reabriu para o público este ano, mantendo características históricas como a pintura de constelações no teto do loby, porém, renovando completamente a estrutura tecnológica e firmando-se como um dos mais modernos do mundo.

Outro imponente planetário que fez parte de um processo de renovação urbana é o da cidade de Nagoya, no Japão. Conhecido como “Brother Earth”, é o maior planetário do mundo, com uma cúpula com 35 metros de diâmetro e capacidade para 350 assentos.

Ele faz parte do complexo Nagoya City Science Museum, dedicado ao ensino da ciência, e foi inaugurado em 1962, para comemorar o aniversário de 70 anos da cidade. Em 2011, o complexo passou por uma enorme reforma para resistir a terremotos e também se atualizar tecnologicamente. O projeto transformou o prédio em um marco do design e, com a adição de equipamentos como o Universarium IX, máquina da Zeiss ideal para cúpulas de larga escala, o planetário ficou famoso por ser um dos melhores do mundo, atraindo centenas de milhares de turistas anualmente.

No Brasil, a história dos planetários começou com a construção do Planetário Professor Aristóteles Orsini, nos anos 1950 em São Paulo, que continua sendo até hoje o mais famoso do país. Instalado em um edifício projetado por Oscar Niemeyer, também passou por uma grande reforma, foi reaberto em 2016 e atualmente é uma das principais atrações do Parque do Ibirapuera, símbolo da arquitetura modernista no país.

Nos quatro cantos do mundo, os planetários continuam encantando multidões ao apresentar um novo olhar para a ciência, com o apoio da tecnologia. Um lembrete de como é possível aliar tradição e inovação para criar experiências inesquecíveis e acessíveis para todos.

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