Estrelas da Festa - Olhares do Mundo

Estrelas da Festa

Símbolos da união entre arte, riqueza e design, os lustres mantém seu brilho através dos séculos

Desde antes do surgimento da energia elétrica, iluminação é questão de arte. Hoje nos acostumamos tanto a ver shows de luzes, projeções em edifícios e vários outros espetáculos que passamos a focar apenas no que a luz pode fazer, esquecendo de uma peça fundamental nesse processo: o suporte

Antigamente, quando não havia a oferta de tecnologia atual, iluminação noturna abundante era também um luxo que poucos poderiam bancar. Da união entre a necessidade de luz e o desejo de demonstrar riqueza surgem os lustres de cristal.

Essa história começa na Europa, no século XVII. Antes disso os lustres já eram usados, porém, os tipos mais comuns eram os de bronze, produzidos nos países baixos. Essas peças – que tinham como principal característica uma bola de bronze no centro – costumavam ser usadas em igrejas devido a seu aspecto gótico.

Embora belos e caros, estes lustres não refletiam todo o glamour desejado pela nobreza, em um momento de florescimento do barroco e do rococó, estilos que valorizam os detalhes e a descoberta de novas técnicas.

Em 1676, o britânico George Ravenscroft descobriu que, adicionando óxido de chumbo ao vidro, o resultado era um material muito mais brilhante, fácil de lapidar e que absorvia bem as cores: o cristal. No entanto, existem algumas divergências sobre a autoria da ideia. Muitos acreditam que Ravenscroft aprendeu a técnica em Veneza, onde morou por alguns anos, e apenas a reproduziu.

Mas foi na França que a tradição ganhou forma e fama a partir dos lustres de cristal do Palácio de Versalhes, que no século XVIII era o mais famoso da Europa e ditava tendências. Os lustres do Salão dos Espelhos, uma das galerias mais visitadas, complementam a riqueza do ambiente e chamam a atenção por sua grandiosidade.

Enquanto isso, na Ilha de Murano, na Itália, desenvolviam-se técnicas magníficas de manuseio dos cristais, que renderam uma tradição de luxo e requinte na confecção de cada peça até hoje. Um exemplo é a própria fabricação dos lustres, que ainda obedece aos processos manuais realizados por operários com alto nível de treinamento.

Foi em Murano que Daniel Swarovski, um fabricante de vidros e joias austríaco, aperfeiçoou os talentos que desenvolvera na oficina de seu pai e entrou em contato com as técnicas de produção do cristal. Em 1891, Swarovski cria a primeira máquina elétrica para lapidar cristais, o que fez com que o material se popularizasse para além dos salões dos nobres.

Hoje os lustres dominam os locais históricos e arquitetônicos mais importantes do mundo, emprestando seu charme para todos os tipos de decoração. De mesquitas a residências oficiais, conheça a história de alguns destes belos objetos:

 

A mesquita de Kocatepe, na Turquia, é a maior de toda a cidade de Ancara. Como não poderia deixar de ser, a grande estrela do salão é um lustre de cristais com 5,5m de diâmetro, que combina com as dimensões monumentais do local.

 

O lustre do Salão Azul da Casa Branca é praticamente um viajante nato. Todos os anos, a peça, datada de 1945, é removida para dar lugar à árvore de Natal.

Ancara é, de fato, uma cidade incrível para os amantes de lustres. Além da mesquita de Kocatepe, o Palácio de Dolmabahçe é lar do maior lustre de cristal da Boêmia no mundo. A peça, que foi um presente da rainha Victoria, tem 750 lâmpadas e pesa cerca de 4,5 toneladas.

O lustre do auditório da Ópera Garnier, em Paris, é famoso por ter inspirado a história de O Fantasma da Ópera. Em 1896, o lustre se soltou e matou uma pessoa, tragédia incorporada ao livro de Gaston Leroux. Ao todo, são incríveis 8 toneladas e 340 lâmpadas.

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