Esporte pela vida - Olhares do Mundo

Esporte pela vida

Conheça a história transformadora de Fernando Abud, paratleta de Rugby e ex-jogador da seleção brasileira

Com 2.500 pessoas, a final paralímpica de Rugby em cadeira de rodas bateu um recorde de público. Um dia histórico, um jogo intenso entre as gigantes seleções dos Estados Unidos e da Austrália, duas prorrogações, disputa acirrada. Na plateia, ao lado do time brasileiro, Fernando Abud, atleta e ex-membro da seleção, não piscava. A concentração, a excitação e a tensão de ver um jogo que entrava para a história, um jogo daquele que é também o seu esporte, tomavam conta dele.

Um dia antes lá estava, também na plateia, mas dessa vez assistindo o Brasil jogar. Mais do que isso, assistindo seus amigos de time jogarem e fazerem história na primeira participação brasileira em uma Paralímpiada na modalidade, amigos com quem dividiu e divide não só o esporte, mas também a vida. Orgulho, já que o atleta também escreveu essa trajetória.

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A relação com o esporte começou muito cedo, quando ainda criança entrou no mar com a prancha pela primeira vez. Anos depois, aos 15, sofreu um acidente surfando e ficou tetraplégico. Por acaso, conheceu o presidente da ABRC (Associação Brasileira de Rugby em Cadeira de Rodas) no aeroporto, com quem fundou um time de Rugby adaptado, o primeiro de Campinas, que por muitos anos foi o melhor do Brasil. Um começo difícil e improvisado que o fez chegar a seleção nacional, que com ele se tornou um time respeitado mundialmente.

Estaria lá, na Arena 1 da cidade olímpica, mas decidiu diminuir os ritmos de treino e, consequentemente, sair da equipe brasileira para se dedicar ao trabalho. Uma das escolhas mais difíceis de toda a sua vida, já que com o time ele viajou o mundo e defendeu um esporte que ainda é muito subjugado no Brasil, que tem pouco incentivo e que dificulta a manutenção de uma vida dedicada exclusivamente aos treinos e campeonatos. Entre jogos, uma rotina de atleta e uma vida corporativa, Fernando vive intensamente o Rugby. Para ele, estar em quadra é estar vivo.

Depois de 10 anos, em meio a passes e gols, a sensação ainda é a mesma: a quadra é o lugar de esquecer todo o resto, é a distração mais profunda. “Decidi viver. Eu falei: ou eu fico aqui e a vida passa ou eu aproveito como dá. Hoje meu lema é esse: aproveitar o máximo com o que eu tenho”.

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