A era do streaming - Olhares do Mundo

A era do streaming

A substituição do produto "físico" pelo conteúdo digital

Esperar ansiosamente por um filme sair nos cinemas ou em DVD. Visitar aquela loja de disco para conferir se o novo álbum de seu cantor favorito já chegou. O mundo digital mudou esses hábitos. Não precisamos sair mais de casa, nem de nosso quarto para ver uma grande produção. A internet faz com que esses produtos culturais cheguem ao nosso computador e celular no conforto de nosso lar. É a era do streaming.

A facilidade e o baixo custo se aliaram para impulsionar esse momento que vivemos. As indústrias gastam menos com a produção “física” e o consumidor final encontra mais praticidade. Os serviços de streaming dominaram a internet com suas extensas bibliotecas de músicas, no caso do Spotify, e seriados, como é visto no Netflix.

Spotify

O streaming de música está revolucionando o mercado fonográfico. Muitos dizem que esse movimento foi iniciado pelo Napster, em 1999, quando o software compartilhava arquivos em P2P, o que virou uma luta jurídica entre a indústria fonográfica e as redes de compartilhamento. Como o serviço oferecido era considerado ilegal, já que as gravadoras e os artistas não ganhavam nada com os downloads, o sistema de distribuição teve que mudar.

O legado do Napster significou uma grande perda às gravadoras. Ano após ano, as vendas de álbuns “físicos” diminuíam drasticamente. Para combater isso e ao mesmo tempo se aliar ao meio digital de distribuição, a indústria se aliou com gigantes da tecnologia, como por exemplo, a Apple, que através do iTunes Music Store, começou a vender discos e faixas por preços mais acessíveis.

Só que a grande mudança veio com o Spotify. O serviço de música comercial em streaming mais popular do mundo foi criado na Suécia, em 2006, por Daniel Ek. Depois de 10 anos de sua criação, a empresa já vale US$ 13 bilhões e não para de crescer, oferecendo aos seus usuários pacotes que permitem ter músicas e álbuns de maneira rápida e simples.

Para se ter uma ideia do tamanho que o Spotify atingiu, a música One Dance do rapper canadense Drake já ultrapassou o 1 bilhão de streamings. Segundo dados de 2016, o serviço tem cerca de 40 milhões de ouvintes mensais espalhados nas mais diferentes plataformas digitais: computadores, celulares, videogames, tv’s e outros dispositivos.

O sucesso já atraiu novas maneiras de se divulgar álbuns e artistas. Muitos cantores e bandas independentes não têm um “disco físico”, mas estão disponíveis no Spotify, o que mostra a importância desse serviço de streaming, que facilitou o trabalho de muitos que almejam um lugar ao sol do mundo fonográfico.

Ainda assim, o Spotify não é uma unanimidade. A cantora pop norte-americana Taylor Swift mandou tirar suas músicas da plataforma porque achou que o serviço de streaming não era lucrativo para os cantores, já que diferentemente do iTunes Music Store, o usuário não paga por ter uma faixa ou álbum. Ele assina um serviço mensal onde pode ouvir ilimitadamente nesse período da assinatura.  Após três anos de “briga”, Swift deu o braço a torcer e disponibilizou seu trabalho novamente no software.

Netflix

Poucos imaginavam que uma locadora por correio iria decolar e se tornar uma gigante do setor. Pois essa é a história do Netflix. Em 1998, a empresa começou a funcionar com 30 funcionários e 925 DVDs. Criado por Reed Hastings e Marc Randolph, o serviço consistia no aluguel de filmes, só que diferentemente da Blockbuster, que cobrava por unidade, a ideia dos empreendedores era que o usuário pagasse uma taxa fixa mensal, sem multas ou data fixa para a devolução.

Mas essa ideia só decolou mesmo em 2005, quando chegou na plataforma digital. As cartas de correio e as caixas de DVD foram substituídas pelo streaming de todo o material “físico” que era oferecido pela empresa. Isso marcou um boom na história do setor, que foi revolucionado pela “invenção” de Hastings e Randolph. O sucesso fez com que o catálogo do Netflix ganhasse inúmeros filmes e séries, conseguindo agradar todos os gostos.

No início da “era streaming” do Netflix, o serviço contava com 4,5 milhões de usuários, limitado aos Estados Unidos. Já no começo de 2017, a plataforma digital contava com 81 milhões de assinantes espalhados por 190 países. O alcance tão grande fez com que o serviço de streaming se reinventasse. O início dessa releitura veio em 2013, com o lançamento da série House of Cards, produção original do Netflix.

O serviço de streaming também começou a distribuir com exclusividade algumas produções. Por isso, o Netflix foi muito criticado, principalmente por cineastas e sindicatos de cinemas. No Festival de Cannes de 2017, a logomarca da empresa foi vaiada antes da exibição do filme Okja, que foi lançado antes na plataforma digital e depois na “tela grande”. Os donos de salas de cinema falam que essa prática desestimula o público a comparecer nas exibições nos recintos, com as pessoas preferindo a tela de seu computador ou smartphone.

O poder da invenção de Hastings e Randolph chegou até a televisão. Muitos usuários da plataforma diminuíram sua frequência de tempo à frente da TV tradicional,  optando por escolher sua própria programação no serviço de streaming. Esse foi um dos motivos para o canal FOX retirar suas séries do site e começar a fazer um conteúdo semelhante com suas produções.

STREAMING DE GAMES

As músicas e os filmes não são os únicos produtos culturais que passam por essa “digitalização”.  Se inspirando no sucesso de Netflix e Spotify, o norte-americano David Hodess fundou o Game Fly, um serviço de streaming de games. O usuário paga uma taxa mensal e tem acesso a uma biblioteca de jogos.

O serviço ainda enfrenta dificuldades porque os games requerem uma conexão muito rápida para ter um funcionamento satisfatório. O streaming de jogos ainda não ameaça a maneira tradicional de jogar.

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