Dança das cores - Olhares do Mundo

Dança das cores

Para a mitologia nórdica, são os reflexos dos escudos e elmos das virgens guerreiras Valquírias que conduzem o espírito dos guerreiros para Valhalla. Para os índios Cree, são os espíritos dos mortos. Para os chineses, são as chamas lançadas na luta de dragões do bem contra os do mal. Para os gregos, é a biga da deusa Eos anunciando um novo dia.

Aurora boreal, o nome dado pelos cientistas às misteriosas luzes que dançam nos céus do ártico, é uma homenagem à junção de duas lendas gregas – a da deusa Eos, conhecida como Aurora pelos romanos, e o deus Bóreas, símbolo do vento norte.

A explicação para este belo fenômeno envolve ciência, mais do que a magia. A aurora boreal se forma quando partículas subatômicas emitidas pelo sol são carregadas até a Terra, onde interagem com as partículas que viajam nas linhas dos campos magnéticos do planeta.

A troca de energia entre essas partículas ocorre nas camadas mais altas da atmosfera e gera um desprendimento de energia em forma de luz. O resultado desse fenômeno ilumina as regiões polares do planeta, especialmente nos meses de março, abril, setembro e outubro. O polo sul também apresenta o fenômeno, mas a ele se dá o nome de aurora austral. No entanto, ele costuma ser menos visto que a aurora boreal, pois os países vizinhos estão mais distantes do polo que as nações do norte, como Canadá e Noruega.

Mas, não é porque foi descoberta uma explicação científica para a aurora boreal que ela perdeu sua atmosfera inspiradora. Um exemplo desse poder criativo é a cidade de Tromsø, na Noruega,  que floresceu inspirada pelo balé das luzes.

Conhecida como “a porta de entrada para o Ártico”, Tromsø é um famoso ponto comercial e cidade universitária, conhecida no mundo todo por ser um dos melhores locais para a observação da aurora boreal. Inspirada pelas luzes, a cidade criou o Nordlysfestivalen, ou Festival das Auroras Boreais, que desde 1988 já recebeu mais de 500 apresentações musicais de artistas de toda a Noruega e também performances internacionais, como a da orquestra de São Petersburgo.

A aurora também é parte importante do folclore de diversos povos e está presente em suas representações como a animação Irmão Urso, produzida pela Disney em 2003. O filme retrata a mitologia dos povos nativos da América do Norte, através da história do guerreiro Kenai, que mata um urso após seu irmão ter sido morto pelo animal e é transformado em outro urso pelos espíritos da floresta, em sequências nas quais a Aurora Boreal ganha vida.

Mas a fama desse espetáculo ultrapassa fronteiras e atinge até mesmo quem nunca teve contato com o fenômeno pessoalmente. É o caso da artista plástica e arquiteta brasileira Fernanda Alonso, autora de uma série de pinturas intituladas “Aurora Boreal”.

Adepta do estilo de pintura abstrato, ela conta ao Olhares do Mundo que o significado da série foi atribuído pelo público a princípio, porém, a ideia se encaixava tão bem com seu estilo que passou de sugestão a nome oficial.

“Eu evito colocar significado nas minhas obras, para que isso venha por parte das pessoas que estão admirando-as. Acabaram criando esse nome para a série por conta do que surgia com o abstrato, foi uma consequência do que as pessoas identificavam na minha pintura”, diz Fernanda. “A partir disso eu resolvi ir mais a fundo, pesquisar, saber onde acontecem as auroras boreais e foi quando eu resolvi assumir a série como aurora boreal”.

Hoje o fenômeno é uma das grandes inspirações de Fernanda, e vê-lo pessoalmente tornou-se um sonho de vida.

“Acho que todo esse mistério em torno dela é que torna tão interessante, mas o que realmente me inspira é a composição das cores, a forma que elas vão adquirindo no decorrer do processo”, explica Fernanda.

Seja na pintura, na música, no cinema ou pessoalmente, a aurora boreal inspira e encanta aqueles que podem observá-la, mesmo que à distância. Uma dádiva da natureza transformada pelo olhar dos homens.

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