Cidades em equilíbrio - Olhares do Mundo

Cidades em equilíbrio

O linear do lazer e do trabalho se misturam diariamente nas nossas vidas

O ser humano precisa do equilíbrio para poder lidar com as diversas faces do seu cotidiano. A cidade também ajuda a encontrar esse ponto ideal, mesmo parecendo que as grandes metrópoles são um ambiente inóspito para isso. As áreas verdes que disputam fronteiras com os arranha-céus representam o linear do lazer e do trabalho que se misturam diariamente nas nossas vidas.

Buscando uma vida melhor para as pessoas, as chamadas cidades-inteligentes buscam aliar a tecnologia com a sustentabilidade, criando um novo tipo de equilíbrio. Como consequência o perímetro urbano é aproveitado em todas as suas vertentes, unindo o útil ao agradável.

Nos exemplos abaixo, você verá cidades que coordenam a melhora da mobilidade urbana e projetos de sustentabilidade envolvendo a tecnologia. Os caminhos vão se encontrando em uma única estrada para alcançar o perfeito equilíbrio das pessoas que vivem nesses lugares.

 

Songdo

O projeto mais ousado do gênero está sendo realizado na Coreia do Sul. A primeira cidade inteligente e sustentável do mundo fica no país asiático. Para ser mais exato, a 15 minutos do principal aeroporto sul-coreano, localizado em Incheon. Songdo é um grande exemplo para diversos munícipios que buscam seguir um caminho parecido.

Com o objetivo de ser um dos centros urbanos mais modernos do mundo, a cidade sul-coreana já conta com cerca de 90 mil habitantes em seus seis km². Grandes empresas já se instalaram em Songdo, empregando 60 mil pessoas. O projeto deve ser totalmente finalizado em 2022, quando ficará totalmente funcional.

A cidade é comandada pela tecnologia. Uma rede de computadores controla a energia, o tráfego e até o sistema de transporte. Não bastasse isso, as casas de Songdo são conectadas à internet. O morador pode verificar e acionar alguns equipamentos dentro do seu lar mesmo estando em outro lugar, seja na Coreia do Sul ou em qualquer parte do mundo.

Além da tecnologia que conecta todos os moradores com a cidade, Songdo se preocupa com a sustentabilidade. 40% do território do município é reservado a parques e áreas verdes. A gestão do recurso hídrico também é um ponto positivo, com toda a água da chuva sendo armazenada em contêineres, sendo revertidas na lavagem das ruas.

 

Barcelona

A magia de Barcelona é única. A arquitetura de Antonio Gaudí, um dos maiores expoentes do modernismo catalão, deixa a cidade com uma paisagem especial, misturando suas obras à natureza. Isso traduz o que essa cidade pode aportar no tema da conectividade e da sustentabilidade, já que sempre esteve acostumada a unir elementos para somar ao bem-estar de seus moradores.

Um dos passos para se tornar uma cidade inteligente é a autossuficiência energética dos edifícios e espaços públicos do munícipio espanhol. O desenvolvimento deste projeto inovador deve levar 30 ou 40 anos para sair totalmente do papel, com a planificação de ações para os próximos 10 anos.

As ruas de Barcelona já são equipadas com sensores que analisam: qualidade do ar, ruído urbano e controle de estacionamento. Essa tecnologia também é utilizada como mecanismo de iluminação inteligente. Os equipamentos ainda ajudam no registro da densidade demográfica

Com tanto esforço para ser uma cidade inteligente, Barcelona é uma referência no assunto, superando metrópoles como Nova York e Londres. Isso fez com que o município localizado na região da Catalunha seja um exemplo para quem quiser implantar melhorias deste tipo.

 

Estocolmo

A capital da Suécia é a região metropolitana do continente europeu com o crescimento mais rápido na última década. Com o aumento populacional, o munícipio aproveitou para fazer um projeto de desenvolvimento urbano sustentável. Os habitantes desta cidade já percebem as mudanças em seu cotidiano.

Uma dessas inovações foram as lixeiras inteligentes implantadas em Estocolmo, que já contam com 153, segundo o relatório do fim de 2016. Os cestos têm um software que utiliza a energia solar para o seu funcionamento, sendo programado para avisar quando chegou a hora de esvaziá-la, além de empacotar os detritos. Lixeiras normais são esvaziadas até três vezes por dia, enquanto as “inteligentes” só realizam esse processo quatro vezes na semana. Isso significa um custo menor e uma emissão reduzida.

O transporte da cidade também sofreu mudanças e se tornou muito eficiente. O sistema conectado de Estocolmo permite que os ônibus “atrasados” no cronograma recebam prioridade nos semáforos. O processo funciona seguinte maneira: o veículo, que é rastreado por GPS, manda um pedido ao controle de tráfego pelo rádio, sendo liberado para seguir sua viagem sem obstáculos.

O exemplo das ruas foi adaptado para dentro das escolas da capital sueca. Todos os edifícios escolares têm wi-fi, estabelecendo uma nova plataforma educacional e infraestrutura que responda às necessidades dos estabelecimentos de ensino, que contam com cerca de 30 mil tablets e 45 mil computadores para os seus alunos.

 

Amsterdã

Construída sobre diques e barragens, a capital da Holanda é caracterizada pelos seus canais, que guiam as águas do rio Amstel. A principal metrópole dos Países Baixos também é famosa pelas suas inúmeras bicicletas e ciclovias. Esses dois panoramas mostram bem como o munícipio holandês tem se esforçado para alcançar o seu equilíbrio.

Em parceria com os pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachussetts (MIT, na sigla em inglês), Amsterdã começou a receber botes robotizados, batizados de roboats. O objetivo deles é melhorar a mobilidade e a qualidade da água nas áreas metropolitanas, sendo utilizado como meio de transporte para a população, objetos, além de ser uma infraestrutura portátil em caso de eventos.

Já no caso do transporte terrestre, Amsterdã tem um grande número de bicicletas rodando por suas ciclovias. Com isso, o furto desse tipo de veículo tem sido comum na capital holandesa. Para evitar isso foi criado o app FindMyBicycle, no qual o usuário cadastra a sua “magrela” e tem como rastreá-la, eliminando esse problema. A ideia vem ganhando adeptos em toda a Holanda.

 

Brasil

A ideia de ter uma cidade-inteligente no Brasil já existe. No Ceará está sendo projetado o primeiro munícipio do tipo em território brasileiro. Croatá está localizada em São Gonçalo do Amarante. Batizada de Smart City Laguna, o empreendimento fica em uma região importante, próximo a polos econômicos como o Porto do Pecém e  a Zona de Processamento de Exportação (ZPE).

No projeto estão incluídas áreas com wi-fi grátis e um aplicativo, o Planet App, com acesso de todos os moradores para consulta de consumo de luz e água e interação com outros moradores. O software também serve para usar bicicletas e carros compartilhados, além de informar a qualidade do ar e se existem vagas de estacionamento na cidade.

O empreendimento que ficará em Croatá contará cm 3.300.000 m² de área com espaço para lotes residenciais, comerciais e um polo tecnológico. Um cinturão verde e um lago projetado também ajudarão a equilibrar a futura cidade-inteligente brasileira.

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