rascunhos Archives - Olhares do Mundo

rascunhos

Uyuni, o deserto de sal

Como definição geográfica e ecológica, um deserto é reconhecido como qualquer localidade de chuvas irregulares ou escassas, vegetação inexistente, relevo formado pela simples alteração das rochas ao longo do tempo e baixa diversidade de fauna. Como adjetivo, pode ser entendido como ausência total de alguma coisa, ou simplesmente, vazio. Se o Salar de Uyuni se identifica, em partes, com a primeira definição, a segunda já não pode traduzir o significado desse deserto de sal para o povo boliviano.

O local, formado na pré-história, há cerca de 40 mil anos, possui onze camadas de sal, totalizando uma profundidade de 120 metros e impressionantes 10 bilhões de toneladas de sal. São mais de 10 mil quilômetros quadrados de área, que estão 3.656 metros acima do nível do mar. Fora isso, é uma das maiores reservas de lítio, potássio, boro e magnésio do mundo. Por esse motivo, são extraídas anualmente 25 mil toneladas de sal do deserto.

O turismo proporcionado pelo Salar de Uyuni também é de extrema importância para a Bolívia. São milhares de turistas de todo o mundo que visitam a localidade em busca das paisagens únicas que podem ser vistas entre abril e novembro. É nessa época que acontece o degelo das geleiras dos Andes, deixando o deserto de sal coberto de água, fazendo com que ele se transforme em um gigante espelho, confundindo o céu com o horizonte. Lá estão também a Ilha do Pescado e a Ilha Incahuasi, ondem podem ser vistos cactos de até 10 metros de altura e 600 anos de idade. Já as três espécies de Flamingos – Chileno, Andino e James – que podem ser observados em grupos de centenas na colorida Laguna Colorada, completam a extensa lista de atrativos da região.

Paris Sob Medida

Cortada pelo rio Sena a Cidade Luz brilha e, unânime, encanta a todos que de alguma forma tem contato com ela. A magia que envolve Paris é de certa forma inexplicável, mas ela existe e cruza fronteiras bem longe de casa. A atmosfera de glamour, beleza, história, arte, cultura e gastronomia reluzem não só na famosa Torre Eiffel, o ícone parisiense, mas em todo o luxo que só a cidade morada do Louvre tem.

Entre Hermès e Louis Vuitton, Romanée Conti e Don Périgon, Cartier e Boucheron, se esconde algo ainda mais refinado, um requinte secreto e feito sob medida. São espaços exclusivos que traduzem a real “l’art de vivre à la française” (a arte de viver à francesa). Essa ideia de exclusividade mora atrás de pequenas boutiques e lojas que trabalham com a ideia de um luxo produzido no singular, original e nos detalhes. Conheça alguns desses espaços que guardam todo esse espírito:

Maison Bonnet:

Fabricar camisas é uma arte. Quem inaugurou esse conceito foi a Maison Charvet, primeira camisaria a fazer camisas sob medida no mundo. Nasceu em 1838 perto da elegante Place Vendôme, polo das joalherias mais finas do mundo, e lá está até hoje. Cada cliente é uma peça única, que demora 4 semanas para ser produzida, de quem são retiradas 18 medidas: ombros, largura do punho em função do relógio, colarinho, entre muitos outros que são baseados nos hábitos do cliente.

Os moldes ficam todos arquivados para futuras encomendas. Como a Maison tem um público fiel os arquivos são atualizados constantemente pelas modelistas. Alguns moldes que ficam guardados por lá, por exemplo, são os do General de Gaulle, presidente Kennedy, Proust e o próprio Eiffel.

c4b3e1a09e3761dc3fc376cba0d7a024

 

Guilson:

A alfaiataria é tão imponente que foi classificada como Patrimônio Cultural e Imaterial da humanidade pela Unesco. André Guillerme-Guilson, fundador da casa e precursor do ofício de fazer ternos à mão, é um dos maiores conhecedores dessa arte com mais de 50 anos de experiência. O talento o levaram a ser presidente da Federação e do Sindicado dos Mestres Alfaiates da França e a fundar uma das escolas de alfaiataria mais famosas do mundo. A produção da peça, que segue os parâmetros escolhidos pelo próprio cliente, como tecido, corte e forma, exige 80 horas de trabalho manual. Quem quiser um terno perfeito, ou chapéus e cintos que também são fabricados, tem que ir até a Rue Saint-Philippe du Roule e estar disposto a investir no mínimo 4 mil euros.

IV4A5232

 

Steiger:

Os sapatos Steiger, feitos sob medida, são itens de conforto e elegância, pensados um a um. Na hora da encomenda o cliente descreve tudo, onde vai usar, como imaginou a peça e suas preferências de estilo, cor e material. A partir disso, o mestre sapateiro mede todo o pé e determina suas especificidades, como jeito de pisar, para produzir manualmente o sapato ideal. Um luxo que custa, no mínimo, 4 mil euros.

 

Delphine Delafon:

Apesar de um pouco afastada dos bairros de luxo, onde se localizam todas as outras lojas, a Delphine Delafon, marca de bolsas, se consolidou ao longo dos anos e conquistou um espaço muito significante no mercado das peças exclusivas. A jovem roqueira Delphine produz apenas um tipo de produto, as bucket bags ou bolsas saco, que são feitas sob encomenda no ateliê da artista. Quem quiser uma deve ser paciente e esperar de 4 a 6 semanas para desfilar pelas ruas de Paris com uma Delafon própria e exclusiva.

2ac99a02c46c9ed1c4ae44327e0e5340

 

Ex-Nihilo:

O aroma de um perfume nos remete, sem sombra de dúvidas, a lembranças e pessoas particulares. Por isso as fragrâncias exclusivas são tão apreciadas e ganham cada vez mais espaço. Na Rue Saint-Honoré fica a Ex-Nihilo, uma loja onde são fabricados perfumes personalizados, criados segundo preferências do cliente, que vão do aroma ao frasco, que pode ter o nome gravado na embalagem.

São oito bases de fragrância, que podem ter a adição de notas de ingrediente como flor de laranjeira ou jasmin, por exemplo. Além disso, o consumidor pode decidir a intensidade de cada nota, criando uma composição mais doce, amadeirada ou intensa. Todo o processo é feito na hora, na frente da pessoa, pela The Osmologue, uma máquina muito precisa e especial que mistura os ingredientes. Para viver essa experiência de luxo única a loja oferece um consultor pessoal.

OPENING-HARRODS

 

Entre Rosés e Lavandas

A memória funciona de maneira peculiar. Com o passar do tempo, é interessante observar o que lembramos sobre os lugares: um aroma, um rosto, uma sensação. Quando o local em questão é a Provença, na França, difícil é escolher a lembrança preferida.

Em meio ao perfume dos campos de lavanda, ruínas romanas e paisagens do Mediterrâneo, a região é uma das mais famosas e belas da França. Sua história remete ao século VII a.C., quando estima-se que foi colonizada por gregos. Posteriormente integrou o Império Romano, de onde herdou o nome – uma derivação da palavra província.

 

Na Idade Média foi controlada por diversas dinastias, como as casa de Barcelona e Anjou e tornou-se até mesmo sede do papado no século XIV, no que ficou conhecido para os historiadores da religião católica como Cisma do Ocidente. Atualmente oferece a seus moradores e visitantes belas paisagens pontuadas por monumentos históricos, riquezas naturais e patrimônios culturais.

O complemento perfeito para desfrutar de um tour na região é justamente uma das marcas registradas do local: o vinho rosé. Essa versão da bebida, que é de difícil produção, encontrou na Provença o lugar ideal para se estabelecer.

Um dos segredos desse vinho tão especial está na escolha do processo de fabricação. Para criar a mistura perfeita, o método clássico – mais utilizado na Provença – consiste em interromper antecipadamente a maceração, que é o tempo em que o suco passa em contato com as cascas das uvas para obter aromas, sabores e coloração mais fortes. Nesta fase, a bebida também é conhecida como mosto.

No vinho rosé, esse estágio dura até 24 horas e o resultado é um vinho de sabor frutado e cor clara. Na Provença, especificamente, o cuidado para que a bebida tenha a tonalidade exata começa nos vinhedos, bem antes da maceração, como conta ao Olhares do Mundo o sommelier Manuel Luz, da importadora Cantu: “As uvas são colhidas alguns dias antes da maturação que seria ideal para elaborar vinhos tintos, para não atingirem seu grau máximo de tinta nas cascas, o que facilita o processo”.

No entanto, este não é o único método. Para a produção de vinhos tintos mais encorpados, é permitido que os enólogos drenem até 10 por cento do mosto durante a maceração.  A partir do líquido retirado também é possível fabricar rosés, no que é conhecido como método de sangria. Segundo Luz, esta tecnologia, comumente utilizada no Chile, na Argentina e na Califórnia, é “mais fácil de elaborar e gera vinhos ligeiramente mais doces”. Há também quem opte por misturar uvas brancas e tintas durante a maceração, porém, esse processo é pouco indicado, pois pode gerar uma bebida de pior qualidade.

Além da excelência, para fabricar um rosé a autenticidade também é um critério fundamental. Por isso, na União Europeia, é proibido misturar vinhos tintos e brancos prontos e comercializar o resultado como se fosse um rosé, o que valoriza o método tradicional e representa uma vitória para os tradicionais produtores da Provença.

A tradição do rosé na região francesa vem de longa data e, atualmente, a variedade corresponde a 90 por cento da produção local, dominância que pode ser explicada também pelo conjunto de fatores denominado terroir. Esse conceito, muito estudado pelos amantes dos vinhos, indica a relação de elementos da natureza, como clima, relevo e solo de determinada região, além da ação do homem, que confere características específicas às bebidas.

Na Provença, o clima tende a ser mais seco, com verões quentes e outonos e primaveras mais chuvosos. O vento mistral, também mais seco, evita que as uvas sofram com excesso de umidade e mofo. Os solos, em sua maioria, pobres, “dão elegância a cepas de personalidade como, Syrah e Grenache”, explica ao Olhares do Mundo o sommelier Georgio Robert Silva Pereira, da Ville du Vin. A presença de montanhas expõe as frutas a diferentes intensidades de luminosidade. Os recursos naturais tornam a região muito propícia ao cultivo de uvas como as famosas Cabernet Sauvignon e Grenache, já citada anteriormente.

Para o sommelier, o que também torna o terroir da Provença especial é a ação antrópica, movida pela expertise de séculos de produção: “O grande diferencial é que, em média, os rosés da Provença passam 6 meses em bâttonage (método em que o vinho fica em contato com as leveduras), fazendo com que as leveduras se desintegrem e se unam ao vinho, conferido-lhe uma textura de boca elegante, densa”, comenta Pereira.

A influência do terroir vai além da produção e afeta o próprio consumo da bebida, uma vez que a França é o maior produtor e também consumidor da variedade. O rosé combina perfeitamente com a culinária da Provença, leve e refrescante. O vinho, que deve ser servido entre 8 e 10 graus Celsius, é uma boa pedida para acompanhar frutos do mar, entradas, canapés, queijos frescos e um lindo cenário, seja à beira do Mediterrâneo ou em qualquer outro lugar.

 

Seus olhos na era digital

A revolução tecnológica do último século deixou marcas profundas no ambiente e no modo de vida de diversas culturas, rompendo barreiras e criando possibilidades inéditas. A consequência é que agora o organismo humano também precisa se adaptar a essas modificações, mas enfrentar novidades sem paralelo pode ser um desafio e tanto.

Entre os órgãos mais exigidos estão os olhos, constantemente expostos a dispositivos eletrônicos com diferentes condições de leitura e luminosidade, um grande esforço para os músculos ciliares, que precisam constantemente alterar a visão entre um foco muito próximo e distâncias maiores (o que acontece quando se usa o celular enquanto caminha, por exemplo).

Tal mudança de comportamento é muito recente, considerando que durante milênios a maior parte das atividades humanas era realizada ao ar livre, fazendo com que os olhos se adaptassem à luz natural e longas distâncias. Por isso, uso excessivo da tecnologia está gerando algumas consequências para a visão.

Um dos exemplos é a fadiga ocular, que provoca o cansaço dos olhos, sensação de ardência e até dores de cabeça. Ela se torna bastante comum em pessoas que utilizam computadores por muitas horas seguidas, porque a tendência dos olhos é piscar menos quando olhamos para a tela, o que reduz a lubrificação ocular.

Alguns estudos analisam a possibilidade de que tamanho esforço para enxergar de perto e o fato de passarmos mais tempo em ambientes fechados esteja fazendo com que mais pessoas se tornem míopes, embora essa seja, a princípio, uma condição genética. A previsão da Academia Americana de Oftalmologia (AAO) é que, em 2020, 27,7% da população brasileira será míope. Em 2050, esse número pode chegar a 50,7% dos brasileiros.

Outra tendência que pode se tornar perigosa é a superexposição à luz azul-violeta emitida pelas telas. Esse tipo de luz é captada diretamente pela parte posterior dos olhos, atingindo uma região sensível chamada mácula, cujas células, após danificadas, não se recuperam.  A degeneração macular relacionada à idade (DMRI) é hoje a principal causa de cegueira no mundo e pode ser causada por exposição excessiva e prolongada à luz azul-violeta.

No entanto, já existem ferramentas que permitem utilizar a tecnologia sem corres riscos ou sentir sintomas desagradáveis. Um exemplo são as Lentes ZEISS Digital, que proporcionam conforto visual para usuários de dispositivos eletrônicos, pois são otimizadas para a distância de leitura de smartphones e computadores e contam com filtros para a luz azul.

Além disso, é muito importante se proteger também ao ar livre, utilizando óculos escuros com lentes polarizadas, que impedem que a radiação ultravioleta cause danos à visão. E, claro, o acompanhamento periódico com o oftalmologista é indispensável para identificar precocemente uma série de doenças e prescrever o tratamento correto, o que garantirá uma visão saudável por muito mais tempo.