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Os segredos de Bolonha

Viajantes são muito diferentes de turistas. Os viajantes conseguem se transportar através de histórias, fotos, relatos. Os viajantes conseguem enxergar muito além da imagem das paisagens, eles veem aura e história. Por isso a cidade italiana de Bolonha é um prato cheio para eles. Com seus sete segredos muito bem escondidos, entre copos de spritz típicos daquela região, ela cativa e instiga qualquer curioso.

Alguns dos mistérios envolvidos na enigmática cidade são de certa forma engraçados, mas estão bastante longe de serem piadas, já que eles contam muito da trajetória histórica da cidade. O primeiro se esconde em um pequeno pórtico de madeira, em Strada Maggiore. No teto se encontram duas flechas, que, segundo contam, chegaram ali depois de uma suposta traição. O conde, que vivia nas estradas, estava bastante desconfiado de que a Condessa, sua amada, o traía. Enfurecido ele contratou arqueiros para matar o amante.

Com o arco e a flecha na mão os profissionais estavam preparados para cumprir a missão quando, de repente, quem apareceu na janela foi a Condessa nua. Assustados, os arqueiros tentaram desviar o ataque e atingiram o teto do pórtico, que ficava bem acima da sacada. Até hoje ali estão as flechas, marcando esse acontecimento histórico.

Strada Maggiore

Portico Strada Maggiore

Como nada melhor que duas cidades dentro de uma, o segundo segredo é bastante amado pelos visitantes. Na pequena Via Piella de Bolonha se esconde uma mini Veneza. Ali, por meio de um pequeno buraco na parede, é possível ver os canais que tanto lembram uma das cidades mais românticas da Europa. É um toque do charme e da leveza de Veneza com os fortes traços medievais bolonheses. O terceiro é rondado de superstições. Contam que no topo da Torre Asinelle, que fica bem ao lado da famosa torre torta, existe um vaso quebrado escondido, mas não existem evidências fotográficas. Talvez seja tão difícil confirmar a existência disso porque dizem que os universitários, por exemplo, não se formarão se subirem a torre. Para os casais, outra maldição: se subirem juntos o término será inevitável.

Via Piella

Via Piella

O quarto pode ser um prato cheio para quem ama conversas levadas ao pé do ouvido. Na Piazza Maggiore há uma galeria com o teto em forma de abóboda que tem uma estrutura com uma acústica muito interessante. Ao sussurrar em um dos cantos da construção é possível ouvir do outro canto. Há duas possíveis explicações: uma diz que era um truque usado por leprosos para que pudessem se confessar, já que na época a lepra era uma doença atribuída aos pecados cometidos. A outra é a que coloca o local como um ponto em que juízes podiam conversar sem que ninguém pudesse ouvi-los, para evitar que descobrissem qualquer informação sobre os casos.

Piazza Maggiore

Piazza Maggiore

O quinto também surge de um grande recurso de arquitetura, na construção da Fontana del Netunno. A fonte, de grandes proporções, foi toda feita em bronze pelo famoso Giambologna. Na época o projeto do escultor foi considerado uma afronta aos bons costumes e à ética, por causa do tamanho do pênis de Netuno, e o cardeal da cidade pediu para que o artista o retirasse. Giambologna não ficou nada satisfeito com a restrição mas, em vez de afrontar a igreja, ele simplesmente fez com que o pênis só pudesse ser visto de um determinado ângulo. Para vê-lo é preciso se posicionar em um ponto específico, em que a mão na escultura faz uma ilusão de ótica que passou desapercebida por muitos na época, inclusive pelo clero.

Fontana del Netunno

Fontana del Netunno

Mais uma vez as construções carregam um mistério, mas já era de se esperar que isso acontecesse em uma cidade de tanta imponência arquitetônica. É o impressionante número de arcos, 666, que estão dispostos no caminho do centro até o Santuário da Madona de San Luca. Algumas correntes dizem que o número foi uma afronta aos costumes e crenças católicas, porque a contabilização dos arcos que é uma sequência de seis, número conhecido como profano, termina em um santuário. Ninguém nunca conseguiu confirmar se de fato era essa a intenção, mas a quantidade é notável.

Pórtico de São Luca – 666 arcos

Pórtico de São Luca – 666 arcos

O último mistério também tem relação com a Igreja e  já provocou diversas intenções de ataque. Isso porque dentro Basílica de San Petrono existe uma grande blasfêmia contra Maomé. Em uma de suas vinte e duas capelas existe um afresco chamado “Céu e Inferno”, inspirando na obra de Dante Alighieri, com uma pintura de Maomé sofrendo no inferno. É possível ter certeza de que ele é o personagem porque o artista escreveu, em letras discretas, Mohamed ao lado. O fato já desagradou muitos muçulmanos, que tentaram explodir a basílica. Devido às ameaças, o local é protegido por uma equipe do exército local.

Basílica San Petrono

Basílica San Petrono

É por tudo isso, e mais, que a cidade carinhosamente apelidada de Gorda, Culta e Vermelha atrai tantos olhares. É impossível não querer ir até Bolonha para conferir todos esses segredos e desfrutar de uma das cidades mais bonitas e charmosas de toda a Europa. Cheia de história, ela abriga grandes marcos como a primeira universidade do ocidente. Lá se misturam a presença jovem e a arquitetura bastante tradicional, dando um ar que só quem já esteve na cidade consegue sentir.

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Um olhar para a Amazônia

Funciona 24 horas por dia, 365 dias por ano, sem parar.  É resistente, mas ao mesmo tempo extremamente delicado. Tem limites, mas é infinito em suas possibilidades.  Mesmo com a mais alta tecnologia, nenhuma outra máquina consegue se renovar com a mesma capacidade, ou aprender com a mesma velocidade.

Em toda a natureza, nada se compara ao corpo humano. Preservá-lo é, mais que uma prioridade, um direito de todos. No entanto, nas áreas remotas da Amazônia, a falta de recursos e a distância dificultam o acesso de milhares de pessoas a uma saúde de qualidade.

Na década de 1990, o Dr. Jacob Cohen voltou seu olhar para a situação da população que vive na maior floresta do mundo e decidiu agir. Foi assim que surgiram os Projetos Amazônicos, através dos quais cirurgias de catarata gratuitas já recuperaram a visão de cerca de 15 mil pacientes carentes.

A partir de 2005 os Projetos Amazônicos ganharam o apoio dos oftalmologistas voluntários da Escola Paulista de Medicina, da UNIFESP, que percorrem o interior do Amazonas realizando as cirurgias. Outra realizadora do projeto é a Fundação Piedade Cohen (Fundapi), uma organização sem fins lucrativos que fornece serviços de saúde para a população carente do Amazonas.

As expedições acontecem em diversas cidades, onde os médicos permanecem por 24 horas examinando e operando os pacientes necessitados.

Para garantir os melhores resultados são empregadas as técnicas mais modernas, como a facoemulsificação. O processo é muito seguro e dura apenas alguns minutos. Nele, os médicos fazem uma pequena incisão nos olhos dos pacientes, quebram o cristalino danificado com ondas de ultrassom e o aspiram, depois inserem lentes intraoculares. Com o uso da chamada incisão em degrau, não há necessidade de sutura, pois a pressão natural mantém o corte fechado até a cicatrização. O procedimento pode ser realizado em ambulatórios e não precisa de anestesia geral, o que facilita a realização das cirurgias em locais com uma infraestrutura precária, como a Amazônia.

O uso dessa tecnologia avançada e de materiais de alta qualidade, como as lentes intraoculares ZEISS, permite que os pacientes voltem para casa no mesmo dia, com a visão totalmente recuperada e tenham um pós-operatório muito mais tranquilo, com baixo risco de infecções ou complicações.

O impacto que a nova visão tem na vida das pessoas é perceptível pela expressão de felicidade dos pacientes. O sorriso de Dona Maria Lúcia Leal, de Parintins, que não conseguia mais trabalhar devido à dificuldade de enxergar, demonstra o alívio trazido pela cirurgia.

“Eu não conseguia ver nada a noite. Só conseguia ler durante o dia e de muito perto. Não conseguia trabalhar mais por causa dos meus olhos, porque eu trabalhava com bordado e tapeçaria. Agora, depois da operação, eu consigo enxergar muito bem. Não doeu nada e eu queria muito fazer a cirurgia”, contou ela, em depoimento.

Para quem está começando a vida, os Projetos Amazônicos têm o poder de mudar destinos. É o caso da pequena Sofia Lima, que nasceu com catarata congênita e, por isso, não conseguia aproveitar a infância em seu máximo potencial. Aos cinco anos, ela passou pela primeira cirurgia e, graças ao projeto, também conseguiu operar o segundo olho, para a alegria de sua mãe, Lorena.

Histórias como essa são a recompensa de quem se dedica e passa dias viajando para fazer da Amazônia um lugar melhor:

“Nós sentimentos que podemos ajudar as pessoas a retomar suas vidas normais e atividades do dia a dia. Nos orgulhamos de ser parte de uma equipe que ajuda pessoas tão necessitadas”, comenta o Dr. Ricardo Nosé, um dos médicos voluntários do projeto.

Momentos como esse são inesquecíveis para quem os vive, mas também para quem se deixa tocar por essas histórias. O grande legado dos Projetos Amazônicos é imaterial; está no aprendizado da equipe médica, na beleza do por do sol amazônico refletido nos olhos dos pacientes, nos sorrisos de gratidão de quem se dedica a ajudar e de quem vê sua vida mudando em poucos minutos.

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