Arte digital - Olhares do Mundo

Arte digital

A revolução das obras através das novas tecnologias

A arte sempre esteve presente na história da humanidade. As paredes das cavernas foram as primeiras molduras já conhecidas. A Idade da Pedra foi o início de uma atividade nunca interrompida, que passou por diversas revoluções de pensamentos, políticas, formatos, incontáveis mudanças que romperam fronteiras da visão do homem. O limite de expressar os sentimentos e momentos em telas, estátuas e ações nunca existiu.

Leonardo da Vinci foi um pioneiro no Alto Renascimento, muito por sua curiosidade insaciável. O desenho do Homem Vitruviano é um ícone cultural que ultrapassa as barreiras do tempo, assim como a Mona Lisa e A Última Ceia. Em sua época, o italiano revolucionou a relação do homem com a arte, criando uma perspectiva única aos apreciadores de suas obras no século XVI, unindo seus estudos da anatomia humana com seus conhecimentos de engenharia e pintura, algo muita à frente de seu tempo.

No século XX, a arte sofreu um impacto importante na construção das obras, com ideias vindas de diversos gênios, mas Pablo Picasso marcou sua geração por ser co-fundador do movimento cubista, inventor da escultura construída e da colagem. Seu estilo único e não-linear expandiu os horizontes das pessoas que observavam suas obras, que muitas vezes eram misteriosas e enigmáticas, mas com temas cotidianos e atuais do momento, como quando retratou o bombardeio alemão durante a Guerra Civil Espanhola em Guernica.

Com sua liberdade, a arte fluiu pelos mais diversos pensamentos e ideologias. Até ganhou novos formatos. Com o advento da tecnologia, ela soube se aproveitar desse espaço. Telas, sons, movimentação, coisas jamais vistas. Ela sempre se reinventa. Um novo leque sempre se abre.

Andy Warhol e o Amiga 1000

Ícone da pop art, Andy Warhol foi um dos primeiros a unir o digital à arte. Em 1985, o norte-americano foi escolhido como embaixador da marca de computadores Commodore International. Utilizando o computador pessoal Amiga 1000, o artista usou o software ProPaint para criar um retrato de Debbie Harry, vocalista do Blondie.

Andy Warhol aproveitou a campanha de marketing em que estava envolvido para fazer diversas obras com o Amiga 1000. Desenhos digitais de latas de sopa Campbell, flores e até uma versão de O Nascimento de Vênus, do italiano Sandro Botticelli, foram concebidas pelo norte-americano. Até hoje, o artista é considerado um exemplo de engajamento em abraçar as novas tecnologias ao “tradicional”, algo que nunca fez parte do vocabulário deste ícone da pop art.

Decodificando o QR Code

As fronteiras da arte sempre são expandidas. Até um código de barras pode fazer parte deste universo. Um exemplo disso foi feito na Bienal de Veneza. Realizado pelo grupo russo SPEECH Techoban / Kuznetsov, formado por Sergei Tchoban, Sergey Kuznetsov, Marina Kuznetskaya e Agniya Sterligova, a exposição i-City foi coberta por QR codes, estimulando o público a decodificar a obra com seus smartphones pessoais.

O objetivo dos QR codes presentes no i-City era presentar o Strolkovo Innovation Center, um empreendimento que concentra o capital intelectual perto de Moscou, na Rússia. Cada código tinha uma informação sobre a estrutura e suas principais características.

Sensor de movimento

O Microsoft Kinect foi lançado para captar o movimento dos jogadores do console Xbox 360. Jogos passaram a utilizar o aparelho para levar a experiência de “levantar do sofá” para se divertir. O artista Chris Milk aproveitou essa nova tecnologia para adaptar a arte.

O Tesouro do Santuário surgiu da mente de Milk. A obra consiste em telas de 30 pés de altura. O “jogo” criado pelo artista fazia a sombra dos visitantes serem projetadas de maneira diferente utilizando o Kinect.

Luzes de led interativas

O teamLab é um grupo de criativos digitais do Japão que sempre trata de inovar em suas exposições. Em 2015, o coletivo apresentou a Floating Flower Garden, que mesclou o visual e a tecnologia para imergir o público dentro de orquídeas flutuantes na Maison & Objet.

Não satisfeitos, os japoneses fizeram sua maior exposição em um labirinto de 3 mil m² coberto por luzes de led interativas e aromas diversos, onde as cores e ações podem ser controladas pelos visitantes por um smartphone pessoal.

O grupo japonês também montou uma sala coberta por água que permite caminhar entre luzes multicoloridas, que se assemelham à carpas. A obra é processada em tempo real por computador, o que faz com que os efeitos não se repitam nunca.

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