A real beleza feminina - Olhares do Mundo

Quebra dos padrões, valorização da diversidade e rompimento com os estereótipos. Esses foram só alguns dos objetivos que a fotógrafa Mihaela Noroc buscou, e vem alcançando, com seu trabalho, “The Atlas of Beauty”. A romena largou tudo: um trabalho estável, o conforto de casa e a presença da família e dos amigos para se aventurar. Tendo como única companhia sua câmera, ela partiu em um mochilão pelo mundo para capturar as diferentes belezas femininas. Na conta, já são mais de 37 países e inúmeros retratos belíssimos, que nos lembram que há muitos traços lindos para serem vistos ao redor do globo.

Às vezes os encontros duram segundos, às vezes são origem de grandes amizades, mas, independentemente da relação que ali se estabelece, a profissional está sempre caminhando em busca da pluralidade que está escondida nos cantos e exposta nos rostos das mais diferentes nacionalidades. O projeto nasceu com uma mulher que queria dar visibilidade à outras mulheres que, como ela, não se encaixam no padrão, mas que tem uma harmonia muito chamativa em suas expressões. O projeto começou com a vontade de mostrar ao mundo que nele residem diferenças e que essas diferenças o tornam um lugar muito mais bonito.

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Mihaela Noroc – Fotógrafa

“Cada mulher representa a diversidade e a autenticidade do que a beleza significa dentro de qualquer cultura”, disse a artista sobre aquilo que entende como a motivação que direcionou seu trabalho. Irã, Etiópia, China, Amazônia e tantos outros lugares que proporcionaram à Mihaela a chance de realizar aquilo que acredita ser mais genuíno em seu projeto: fotografar a mulher em sua forma mais natural, capturando assim os momentos mais sinceros e serenos do que ela chama de essência da beleza feminina.

A atenção e o cuidado com o olhar são uma preocupação muito nítida na produção das imagens, e nada disso é acidental. “O olhar daquelas mulheres nos leva ao espírito delas, você mergulha naqueles olhos. Eles contam a história, expõe a melancolia e a alegria, porque os olhos, bem, os olhos nunca mentem”, conta a profissional, com muita emoção. A ausência de grandes produções e de maquiagem tem a intenção de capturar essa alma que é tão particular às mulheres.

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Mulher fazendo compras no mercado – Jodhpur, Índia

Como o trajeto que Mihaela está traçando abrange lugares com as mais diferentes culturas, ela tem convivido com os mais diferentes tipos de ambiente, que claramente se refletem no aspecto e comportamento das retratadas. Na Amazônia, uma índia se vestiu para as câmeras com seu vestido de casamento, em São Francisco uma produção de horas da foto de uma mulher que tinha acabado de sair do trabalho em um dia comum, em Cuba uma foto de 30 segundos com uma mulher que andava apressada pelas ruas de Havana. Essa falta de roteiro é exatamente o que confere ao projeto tanto sucesso em capturar a diversidade, não há nenhum tipo de molde ou limitação de estilo.

Sua única restrição é a idade, já que ela procura capturar imagens daquelas que têm a mesma faixa etária que a sua. Isso, segundo ela, não é uma questão estética, mas de propriedade. Sua intenção é reunir e comparar condições similares em lugares diferentes, e por isso a preferência por um grupo. Entretanto, ela ressalta que “a beleza não é sobre uma determinada idade, mas sim sobre ser natural e sincera. Porque talvez daqui 30 anos todas se vistam iguais e se pareçam, então meu trabalho poderá permanecer para mostrar os costumes e tradições da minha era”.

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Kathmandu, Nepal

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